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asimplesvidadejoaorapaz

É o João que é um rapaz que tem uma vida simples.

11
Fev15

Azulejos pintados à mão

asimplesvidadejoaorapaz

- é!! ainda me lembro quando ainda me lembrava e dizia-te...

- do que te lembras então??

- qual das duas??

- da última, para começar...

- de quando, quando em vez, tínhamos hora marcada para nos lembrarmos...

- mas de que coisas??

- de todas!! das coisas que nos aconteceram... das coisas que fazíamos... dos pormenores... dos "Ah ya pois era"... até dos ""poizéra" ou "poijéra""?...

-Poijéra!!

- (sorriso) era não era!? e quando nos íamos lembrando sempre ia redescobrindo o timbre da tua voz, os balanços da tua inquietude e o respirar da tua alma...

- isso tudo ao telefone han?!?

- e mais... sempre depois das 21h... mais uma hora que ninguém desconfia...

- isso parece já mais que passado...

- sim... as memórias vão se esbatendo não pelo esquecimento, mas porque sempre que me lembro de alguma, falta qualquer coisa que completo com outra coisa... depois chego a um ponto que já não sei o que foi verdade ou imaginação... é curioso quase tanto como é cruel... às vezes fico naquela "mas era cor de salmão!! era?? acho que era... tenho quase a certeza que era... mas a lua era cheia isso não há dúvida... lembro do reflexo da luz na água... tipo montes de pedaços de um espelho partido"... depois vou mais fundo e lembro do sentimento... não só da paixão, de tudo... de culpa... de perda... de euforia... de revolta... de tristeza... e de mais... de tudo...

- nunca pensei nisso assim... se bem que pensei em muito do que dizes mas não dessa forma...

- eu e a minha forma do drama e do horror de lembrar...

- sim, tens queda para o dramatismo... embora seja mais porque queres...

- um dia disse-te que escrevia para poder lidar com os meus demónios... para não esquecer... para não me desligar... mas é ao contrário... acho que quanto mais escrevo mais me emaranho nas coisas... já nada é claro como a água... há sempre subterfúgios... jogadas... e até vários jogadores num só...

- sempre escreveste bem... e eu sempre gostei de te ler.. mas se sentes que te faz mal...

- tu também já escreveste... eu sei... e rapidamente percebeste aquilo que eu finjo não perceber...

- o quê?

- escrever sobre ti, ou escrever porque me lembro de ti... é como te beijar...

- (silêncio)

- o tempo vai passando e eu acho que acertei em tudo o que iria acontecer... e entretanto lembrei-me de uma noite de Verão em que pura simplesmente não se conseguia manter uma distância sociável... como é possível sentirmo-nos dessa forma? quase irreal...

- "dá um passo atrás!" (sorriso) então mas diz lá acertaste ou não...

- acertei em quase tudo...

- e qual o quase em que não acertaste??

- lembraste de eu te ter dito que um dia ias olhar para trás e achar que afinal até não foi assim tão especial??

- lembro-me...

- acho que um dia vais olhar para trás e nem sequer achar... vais só saber... como um facto... um facto histórico... e , das primeiras vezes que olhares para trás até podes tentar lembrar e de certa forma reviver... mas vai doer... e vais deixar de o fazer como reflexo em resposta à dor... assim como deixaste de escrever... então olharás mas evitarás remexer nas coisas e cenas... e um dia vais olhar e não vais ver assim grande coisa... e depois só vais olhar quando algo te o obrigar a fazer... tipo uma música ou um local... ou até um luar... e depois já nem sequer vais olhar... e algures um dia haverá um fim e nada do que existiu alguma vez existiu...

- (uma lágrima) o que é que queres que eu te diga...

- oh... diz-me boa noite...

- assim sem mais nem menos???

- não é boa altura para lembranças mas lembraste de todas as vezes que nos tentamos despedir um do outro?(sorriso)

- (sorriso) (silêncio) Boa noite...

- Boa noite...

 

 

 

 

 

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